quarta-feira, 30 de março de 2011

Precisava de papel caneta e silêncio. Não era sempre, mas haviam dias de solidão, só assim as palavras chegavam.
Sempre carregadas de emoções. Surgiam textos tristes e alegres correndo por entre seus dedos até saírem rabiscados, quase ilegíveis, tamanha a pressa que tinham em escapar e virar letra.
Cada vez escrevia menos, desenhava menos, lia menos. As horas devoravam cada oportunidade de sonhar. A vida voava e de repente já era o por do sol.
Não sabia se teria tempo de ver todos os lugares que sonhara, suas asas sempre queriam lhe levar para lugares distantes, sentir cheiros diferentes e ver cores fortes.
Era uma alma errante, destinada a viver de sonho e palavra, levada pelas ondas de um mar que é só seu, foi navegando e segue ainda lentamente rumo ao infinito.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Você quer realmente que eu acredite na morte enquanto você ainda pulsa doentiamente dentro de mim?
Talvez nem seja de fato você, mas apenas uma ferida distante, que já deveria ter parado de latejar.

Mas não para.

Eu não deixo parar.

Não consigo buscar caminhos que me libertem desse vício em um refúgio tão ilusório como você. Talvez eu devesse esquecer tudo aquilo que esperam de mim e me concentrar no meu querer.

E o que Maria quer afinal?

Deixar de sofrer.


Jô para Luka ;)

segunda-feira, 21 de março de 2011

As borboletas voavam circulares, os cabelos esvoaçavam ao sabor do vento e a menina bailava.
Flutuando entre fadas e notas musicais seus pés mal tocavam o chão e as cores da vida pareciam mais bonitas.
Uma revoada de beija-flores trouxe até ela uma anciã que carregava uma caixa mágica de onde transbordavam histórias.
E no meio de tanta beleza surgiu uma menina - flor, espantando com seu canto a chuva que ameaçava cair. Ela juntou-se as ninfas abrindo caminho para pierrot e colombina que celebravam seu amor com marchinhas de carnaval.
Eram feiticeiras, espalhando beleza por onde passavam, a avó com seu colo aconchegante, e a moça que ainda não sabia até onde suas asas a levariam.
E em meio a um véu de sonhos e memórias, vem Nanã, naninha, moldar o mundo com suas mãos fortes,deixando a Terra, um bebê ainda, a balançar as perninhas na beirada do universo.