domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sobre mim

Ela não sabia se era bom ou não só que era assim. Não dava pra mudar. Era algo incômodo para algumas pessoas que não conseguiam enxergar aquilo de uma forma positiva e se retorciam em busca de uma solução para aquele elefante parado no meio da sala.
Uma batalha perdida. Os pés sempre descalços pra tocar a terra e tentar agarrar firme enfiando as pontas dos dedos fundo, cavando raiz. Mas as nuvens sempre a seduziam e ela flutuava na direção do nada levada pelo vento.
Era toda ar e água, chovia muito, ia de garoas a tempestades em segundos, devastava tudo e sempre restavam destroços dentro de si, meio escondidos, magoados, num canto do seu jeito calado e ensimesmado de estar só.
Não queria o sol, amava a lua a solidão das noites geladas contando estrelas. No silêncio das luzes brilhantes era parte de algo, ela também brilhava solitária, não precisava agradar, seguir fórmulas prontas de felicidade. Estava feliz na sua dor.
E doía muito, ardia também. Uma agonia que ela não dividia com ninguém. Dos olhares piedosos ou debochados de toda gente que via o fracasso de tudo encarnado naquela menina que pisava torto e se perdia sempre, dando voltas ao redor de si mesma e voltando ao ponto no qual cometeu o primeiro erro.
Ela mesma não acreditava que conseguiria um dia fazer o que deveria. Estava cansada, só queria dormir e um abraço quente. Não se importava mais com rimas, vírgulas, parágrafos ou convenções. Só queria acreditar que a felicidade podia ser real, que podia existir nela como parecia existir nos outros.
Atiravam lama na sua cara, pedras nas suas costas. Ela caminhava fechada segurando os sentidos amarrados nos pulsos, arrastando os calcanhares no asfalto e nada atingia seus sonhos vazios, carregados de frustrações que um dia explodiram e deixaram seu corpo destruído pingando sangue no chão quente.

Jô ;)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

No dia que completou um mês em Ibitanga Ernesto acordou mais cedo que o normal, ainda não tinha se acostumado com o ritmo do interior. Enquanto preparava um café amargo, pensou na possibilidade de voltar para a capital e lamentou não ter dormido um pouco mais no seu dia de folga.
- Maldita insônia que me atacou hoje- disse pra si mesmo enquanto dava uma espiada no relógio.
Cinco da manhã, já que estava acordado podia aproveitar para ver o sol nascer, não se lembrava da última vez que tinha feito isso. A vida corrida das grandes cidades não permite que as pessoas se ocupem com essas miudezas. Caminhou lentamente até a janela, caneca na mão, sono pesando no corpo, abriu a veneziana com cuidado, pra não fazer barulho e deixou que o ar da madrugada invadisse seus pulmões. Estava imerso em si mesmo quando uma imagem chamou sua atenção.
Um homem caminhava pela rua solitário, Ernesto o reconheceu, era seu Joaquim, o rabugento, um velho que com mais de oitenta anos que passava o dia sentado na praça central resmungando e comendo amendoins. Mas agora quem passava pela janela de Ernesto era uma versão totalmente diferente daquele velho chato de quem todos faziam troça em Ibitanga. Ia calado, cabeça baixa, como se naquele momento fosse o único ser vivo do universo.
Ernesto reparou que suas rugas pareciam mais fundas, eram feridas rasgadas pelo tempo, contrastando com o terno alinhado que o velho usava, e principalmente com o buquê de rosas brancas amarradas por uma fita rosa de cetim que o rabugento carregava com um cuidado cerimonioso.
O que fazia aquele maluco, tão desgrenhado e vulgar durante o dia se transformar em um senhor distinto e elegante na madrugada? Intrigado Ernesto largou a caneca ainda cheia de café no parapeito da janela e quando deu por si, já estava na rua de pijamas, seguindo o velho de longe. Na verdade não era tão difícil assim segui-lo, seu Joaquim estava tão concentrado que Ernesto achou que nem se as estrelas começassem a cair aquele homem esboçaria alguma reação. Já ele estava experimentando uma sensação completamente nova, se sentia um detetive perseguindo um adúltero que se esgueira no meio da noite para encontrar a amante, seu coração batia acelerado, e apesar do frio, o suor escorria pelo seu rosto.
Imaginou que o velho fizesse parte de alguma seita secreta, magia negra talvez, mas mudou de idéia rápido, lembrando que o buquê que o homem carregava era angelical de mais para um feiticeiro. Resolveu cogitar outras possibilidades, tinha pensado na amante anteriormente, só que isso também não se encaixava, que mulher suportaria um grosseirão como aquele? Uma prostituta? Impossível, não se leva flores para as damas da noite, elas preferem maços de dinheiro a buquês de rosas.
- Deve ir à igreja – pensou – pedir perdão pelos palavrões que distribui gratuitamente na praça. E já começava a se conformar com essa idéia quando viu o velho entrar no cemitério. Ernesto esperava por qualquer coisa menos aquilo, nunca ouvira dizer que o rabugento tivesse algum parente ou amigo por quem chorar a morte, sempre o vira como uma alma solitária vagando pelo mundo para incomodar os outros por puro prazer.
Ficou espiando de trás de uma árvore e viu quando o velho colocou as flores sobre um túmulo antigo e depois ficou ali parado cochichando baixinho, parecendo um fantasma no meio daquelas tumbas, e depois de um instante que pareceu uma eternidade disse em alto e bom som:
- Estou chegando Isabel – e saiu andando sem olhar pra trás.
Ernesto resolveu olhar o túmulo de perto, e pode ver na lápide o retrato antigo de uma jovem e os seguintes dizeres:
“Isabel Almeida, esposa amada, seu esposo Joaquim lhe promete fidelidade e pede que guarde para ele um lugar ao seu lado, esteja onde estiver.”
Uma semana depois , quando Joaquim morreu de um infarto fulminante além do padre e do coveiro, só um rapaz silencioso fez questão de acompanhar o enterro.


Jô ;)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Chovia dentro e fora dela, e como se os pingos pesados de chuva e lágrimas não fossem suficientes, também havia o frio. Ela o sentia invadir lentamente seu corpo apesar de estar agasalhada, mas o gelo parecia ter encontrado uma brecha na velha ferida que agora sangrava no seu peito.
Foi quando arrumava as coisas para mudança, decidiu jogar fora tudo que não fosse necessário e, nessa de limpar a vida encontrou os restos do amor jogados no fundo de uma caixa de sapatos. Primeiro foi o susto, desses que agente toma quando é pego fazendo algo errado, depois o receio, e finalmente ela se rendeu a tentação das lembranças e pegou a carta.
Foi em uma quarta-feira, ele lembrava bem daquele dia, mesmo depois de anos ainda podia ver a dor invadir o rosto que mais amara quando disse que iria partir. Viu o desespero transbordar em lágrimas, e as lágrimas se transformarem em súplica, e viu a si mesmo virando as costas e saindo, sem olhar para trás.
A chuva sempre lhe lembrava ela, se conheceram assim, em uma tempestade de verão. Fechou os olhos e a moça de vestido azul toda molhada veio correndo em sua direção. Ela estava descalça, com a sandália arrebentada na mão, o cabelo vermelho espalhava água por toda parte, e quando ela parou ao seu lado no ponto de ônibus e sorriu, ele pensou que nunca tinha visto nada tão belo em toda sua vida.
Foram dez anos juntos e agora cinco separados, o papel amarelado que tinha nas mãos era testemunha do tempo, e ela sentia o peso da dor aparentemente superada ao manusear aquela folha cheia de digitais de outra época, quando o sol brilhava dentro dela, tempos de juventude e promessas, olhando agora pra trás tudo parecia apenas um sonho bom.
Tinha lido apenas algumas linhas, a chuva lá fora aumentava e a dor se tornara insuportável. Decidiu fazer um chá. Foi até a cozinha, mas não se deu conta do caminho, estava imersa em si mesma, nunca tinha se sentido tão só desde que ele partira. Viu seu reflexo no vidro do fogão enquanto a água fervia, percorreu cada uma das linhas que vincavam seu rosto cansado, tentando entender o que realmente tinha acontecido com eles.
Na tela do computador estava à foto de uma jovem de vinte e poucos anos de cabelos vermelhos. Não era nela que ele pensava agora, pelo menos não em princípio, mas tinha sido por ela que ele largara o amor da sua vida. De fato quando a conheceu reparou que se parecia muito com sua esposa quando tinha a mesma idade. Olhou para si mesmo e se achou mais velho do que realmente era. Como pode acreditar que uma moça daquelas se interessara realmente por ele?
Depois de muito tempo juntos um casal gira em torno de uma dança coreografada, os dias se repetem com poucas variações, e às vezes esquecemos o amor. Ele esqueceu, e quando viu aquele rosto jovem e familiar sentiu a magia voltando. Mas foi apenas um delírio, como uma noite de bebedeira, e quando passou só restou ressaca e solidão.
Agradeceu por não ter tido filhos, seria mais difícil se os tivesse, sem eles não sobrava vínculo. Já tinha tomado o chá e agora lia as últimas linhas de juras de amor vencidas, perdidas no tempo de uma felicidade que não conhece mais. Agora se lembra por que resolveu vender a casa, não se vê naquelas paredes, elas estão impregnadas de alegrias e tristezas de uma pessoa que não é mais ela. A dor muda agente deixa marcas vivas de uma vida morta. Precisa partir.
Resolveu voltar a encaixotar o que faltava, e foi vivendo suas dores e alegrias antigas em cada detalhe aparentemente insignificante, mas que secretamente todos nós sabemos que são os mais importantes. Sentiu toda a juventude percorrer suas veias velhas, e o amor, invadir tudo até que não restasse um pedaço de si que não amasse intensamente. Quando fechou a ultima caixa tudo se foi, e ela se viu sentada sozinha em uma sala estranha e vazia.
Seu olhar ia da foto no monitor para sua própria imagem no espelho, sentia o peso dos anos em cada detalhe novo que seus olhos descobriam. Nesses cinco anos ainda não tinha conseguido entender como podia ter se deixado levar tão facilmente por uma ilusão. Amava sua ex-mulher, e somente a ela tinha amado em sua vida. Sentia falta daquele rosto familiar, das pequenas coisas que desprezara um dia, queria voltar, pedir perdão, mas faltava coragem para encarar seus olhos novamente, eles mostravam uma tristeza profunda da última vez que os viu, e ele tinha medo de encará-los.
Acordou assustado, tinha dormido na frente do computador, seu corpo doía e a casa cheirava a cigarro.Tomou um banho demorado e resolveu sair pra andar um pouco. Era um sábado gelado, mas a chuva tinha passado, parou na padaria para um café. O sorriso dela ainda estava lá, e era tudo que conseguia ver. Voltou para rua, continuou andando, observando o mundo, tudo estava mudando, ele estava mudado, e mesmo que se negasse a aceitar, sabia muito bem aonde seus passos iriam levá-lo.
O caminhão de mudança chegou cedo. Ela pedira que fosse assim, queria começar a vida nova com o amanhecer. Não demorou muito até que todas as coisas fossem retiradas da casa. Depois que a mudança saiu, ela ainda se demorou um momento olhando a casa em que vivera tantos anos. Tinha acabado suas lembranças estavam guardadas em caixas e agora ela tinha espaço livre para novas experiências, entrou no carro satisfeita, sentindo uma leveza que só aqueles que sofreram suas dores até não restar mais nada podem entender.
Quando ele chegou ainda pode ver seu carro se afastando. Foi até o portão e notou o vazio. Não havia nada lá, eram apenas paredes de concreto sem vida, um esqueleto de lembranças prestes a desmoronar. Logo outras pessoas dariam vida a casa novamente, mas agora não tinha nada, ela não estava mais lá. Voltou sozinho pela rua, muito devagar, torcendo pra que talvez caísse uma tempestade e uma moça de vestido azul corresse sorrindo na sua direção. Mas o verão já tinha passado, e tudo que restava agora era a chuva constante e fina de um inverno gelado.

Jô Stella

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dar é Dar... por Luís Fernando Veríssimo

“Fazer amor é lindo,
é sublime,
é encantador,
é esplêndido,
mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca,
te chama de nomes que eu não escreveria,
não te vira com delicadeza,não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar,
sem querer apresentar pra mãe,
sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral,
te amolece o gingado, te molha o instinto.
Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante, e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para as mais desavisadas, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazia.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar,
para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Que cê acha amor?”.
Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda,
muito mais do que
qualquer coisa,
uma chance ao amor,
esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa,
cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar
o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.
Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Mas… experimente ser amada.”

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A casa amarela

A única lembrança daquela cidade que Manoela tinha era de uma casa amarela. Passaram-se muitos anos desde a primeira vez que estivera lá, mas o amarelo das paredes ainda era tão vivo quanto em sua memória.
De fato ela nunca pensou que voltaria ali. Quando prestou o vestibular para medicina torcia realmente para passar em qualquer faculdade que não fosse a de Mirandópolis. Tinha uma aversão terrível ao lugar.
Acabou indo estudar na capital. Passou de primeira na universidade federal e nem se preocupou em conferir outros resultados.
Agora já formada, quis o destino que o único hospital escola no estado em que poderia fazer a expecialização dos seus sonhos fosse o de Mirandópolis .Conformada organizou suas coisas e se mudou pra lá.
Era uma verdadeira tortura estar ali. Tudo naquela cidade a exasperava, até o ar pesava doidamente em seus pulmões, e seu coração parecia querer explodir no peito quando pensava que teria que viver ali por dois longos anos.
Apesar desse pequeno problema com a cidade a vida de Manoela até que ia bem. Estava satisfeita com o resultado do seu trabalho e estava saindo com um homem interessante.
Conhecera Carlos no hospital, ele era o médico chefe da oncologia e 20 anos mais velho que ela. Nunca tolerara os rapazes da sua idade, inseguros e vazios. O romance tornava a vida melhor.
Quanto mais sério o relacionamento ficava menos era o incômodo com a cidade. Tudo ali parecia mais suave, bonito, e depois de cinco meses de namoro aquela sensação ruim do tinha desaparecido completamente.
No final de setembro era seu aniversário e Carlos disse que tinha uma surpresa. Manoela imaginou que talvez ele fosse pedi-la em casamento. Não queria pensar nisso, sabia que era cedo, mas estava apaixonada e não conseguia controlar seus pensamentos.
Depois disso foram quinze longos dias de tortura. Tudo girava em torno daquela idéia, ela sonhava com vestidos e anéis e ficava suspirando pelos cantos do hospital durante o plantão.
No dia tão aguardado dia Manoela acordou cedo e foi direto para o salão. Passou horas entre cabelos, unhas e depilação. Ele foi buscá-la à noite e disse que iriam para sua casa. Ela ficou radiante, nunca tinha ido lá, realmente a surpresa era algo importante.
Quando chegaram ela não pode esconder a surpresa ao ver que Carlos morava na casa amarela das suas lembranças. Aquilo com certeza era um sinal, durante todos aqueles anos aquela imagem fora tão viva na sua mente e agora estava ali de novo, e o homem que amava morava lá.
Enquanto entravam Manoela pensava nas mudanças que faria ali depois do casamento. Definitivamente mudaria a cor das paredes, aquele amarelo era horrível. Durante o jantar sonhava com os filhos que iriam ter correndo pelo quintal, era sem dúvida a mulher mais feliz do mundo.
Foi só o ardor do corte, depois o sangue quente decendo pelo peito, lembrou do mal estar que sentiu quando viu a casa pela primeira vez anos atrás e de toda aversão que viera depois disso pela cidade. Afinal tudo fazia sentido.
Foram seis facadas no total, ela morreu na terceira.


Jô Caqui

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

dream

dou uma tragada no mundo e sinto as suas impurezas e poluições
mundo politico e corrupto como jamais visto antes
o que resta é o sonhar de olhos abertos e fingir que não é verdade o que está acontecendo ao nosso redor
ou então, continuarmos a ter esperança de que um dia tudo isso vai passar...



by Luka

tecnos

Hoje não há mais o dialogo, pois tudo o que as pessoas procuram está na internet
Será que nos afastamos do que éramos e passamos a ser pessoas volúveis?



by Luka

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Amigos - por Vinicius de Moraes

AMIGOS

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho
deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem desaparecidos todos os meus amores,
mas enlouqueceria se desaparecessem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese,
dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não se faz amizade pedindo numero do RG, CPF nem atencedentes criminais
A amizade surge pela afinidade e empatia que se sente por alguem!
Umas tornam-se mais necessárias que outras, compartilham momentos inesqueciveis e fazem da nossa vida algo suportável meio a tantos problemas
Agradeço sempre as amizadades colocadas em meu caminho, cada uma a sua maneira
Todas especiais, assim como são



by Luka
A palavra fere, sangra, reaviva feridas e mata.

E não adianta você negar, tentar consertar, uma vez colocada a vírgula fora de lugar tudo vira um desastre irremediável. Não existe esse negócio de perdão, as pessoas fingem que perdoam, mas a mágoa fica escondida, latejando no fundo do porão das emoções, e um dia uma outra palavra qualquer vai fazer a cicatriz pulsar.
Sangrar.
Doer.
Romper.

Você pode até costurar depois, remendar, e fingir que tudo vai ficar bem.

Não vai, não dá mais pra voltar.